Cultura

Oba! “Shtisel” terá terceira temporada

Sucesso em vários países, Brasil inclusive – sobretudo na comunidade judaica via Netflix –, a série israelense Shtisel terá uma terceira temporada. A informação é do co-autor, Yehonatan Indursky, que revelou à imprensa nesta semana. O outro co-autor chama-se Ori Elon. Ainda não se sabe quando a terceira temporada vai ser exibida.

Shtisel retrata a vida de uma família ultra ortodoxa (haredi) no bairro de Geula (fala-se gueula), em Jerusalém, a capital do Estado de Israel. Na foto acima, Shulem (Dov Glickman) e um de seus três filhos, Akiva (Michael Aloni).

A série conta as alegrias e as tristezas, os desafios e os dramas dos personagens da família Shtisel, na grande maioria israelenses de origem lituana – ou seja, “litvaks”, como são chamados os judeus lituanos ou de origem lituana (religiosos ou não) – como é o meu caso, por parte de mãe. Meus avós maternos, Abromas (Z´L) e Esta (Z´L), nasceram, respectivamente em Panevėžys e Giedraičiai, na Lituânia, no início do século 20. Infelizmente eles já morreram há muitos anos.

Alguns dos personagens da série: Giti, Akiva, Shulem, Libbi e Zvi Ariye (fotos Netflix)

Ao assistir Shtisel, o público conhece como estes religiosos vivem e como, muitas coisas do dia a dia, são iguais à rotina de qualquer pessoa, de qualquer família: a perda de entes queridos, a busca por emprego, cuidar da casa e dos filhos, as brigas e discussões, as relações amorosas etc.

Outro mérito de Shtisel, e daí o sucesso, imagino, é mostrar os ultra religiosos como eles são. Sem exageros, rótulos e esteriótipos, mas com bom humor – traço essencial do judaísmo.

Adorei ver as duas temporadas e conhecer a vida dos Shtisel como, entre outros, Shulem, pai de três filhos, viúvo, professor e diretor de uma escola infantil religiosa; Akiva, um dos filhos de Shulem, pintor talentosíssimo que vive com ele e busca uma esposa; Giti (Neta Riskin), a única filha de Shulem, que teve problemas com seu marido Lipe (Zohar Strauss), que a abandonou por um tempo e sofreu bastante para criar seus cinco filhos; Zvi Aryie (Sasson Gabai), o irmão primogênito de Shulem, que vive em Antuérpia com a filha, Libbi (Hadas Yaron); ela acaba ficando noiva de seu primo, Akiva; e Malka (Hana Rieber), a vovó querida da série, a mãe de Shulem e Zvi, uma fofa.

Propaganda da série no site da Netflix (reprodução)

Outro ponto que gostei de ver em Shtisel é o uso recorrente do idioma iídiche em muitas conversas dos personagens. De fato, os religiosos usam demais esta língua criada séculos atrás pelos judeus da Europa Centro-Oriental. É baseado sobretudo no alemão e escrito com letras hebraicas.

Nos momentos de conversas em iídiche, a série me trazia recordações de muitos entes queridos que já morreram, como meus avós maternos citados no início do texto e meus pais – Edison (Z´L) e Eva (Z´L), falecidos, respectivamente, em 2014 aos 83 anos e em 2018 aos 79 anos.

Em vários momentos, meus avós e pais se expressavam comigo ou eu os ouvia falar com o idioma melhor indicado naquele determinado momento, o iídiche. Então, acho que para muitos dos fãs de Shtisel, a emoção era forte o suficiente para vir lembranças e deixar os olhos marejados.

Por isto e muito mais, saúdo a terceira temporada de Shtisel. E você?

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